Durante décadas, o Caso Varginha ocupou um lugar especial no imaginário brasileiro. Para muitos, trata-se do maior episódio ufológico do país.
Para outros, uma sucessão de mal-entendidos, exageros e versões contraditórias. Agora, quase 30 anos depois, uma nova revelação promete reacender o debate e abalar ainda mais a credibilidade de parte da história.
Um ex-soldado do Exército Brasileiro admitiu publicamente que seu relato sobre o transporte de uma suposta criatura extraterrestre foi inventado após a promessa de pagamento de R$ 5 mil feita por um ufólogo.
A revelação veio na televisão
A declaração foi exibida no episódio mais recente da série documental “O Mistério de Varginha”, exibida na última quinta-feira (8) pela TV Globo. No programa, o ex-militar afirma que aceitou participar da narrativa quando ainda era muito jovem, sem imaginar a proporção que o caso tomaria ao longo dos anos.
Segundo ele, o dinheiro prometido nunca chegou a ser pago.
Um caso que nunca morreu
O episódio original remonta a janeiro de 1996, quando três meninas afirmaram ter visto uma criatura estranha em Varginha, no sul de Minas Gerais.
A partir desse relato inicial, surgiram versões envolvendo: bombeiros que teriam capturado o ser; militares responsáveis pelo transporte da criatura; um suposto atendimento médico em um hospital da cidade. Esses depoimentos ajudaram a consolidar o caso como um dos mais famosos da ufologia mundial.
Os depoimentos que sustentaram a história
Durante as investigações iniciais, três militares se destacaram:
- Um bombeiro, que afirmou ter participado da captura da criatura;
- Um cabo do Exército, que disse ter visto o ser em um hospital;
- Um soldado, que declarou ter ajudado no transporte do suposto ET até Campinas.
No novo documentário, tanto o soldado quanto o bombeiro afirmam que seus relatos foram fabricados. Já o cabo mantém, até hoje, a versão original.
O áudio que virou “prova”
Um dos elementos mais famosos do caso foi uma fita cassete com a gravação de um bombeiro afirmando que a criatura capturada “não era deste mundo”. Durante anos, esse áudio foi tratado como uma das principais evidências do suposto incidente. Em 2019, no entanto, o ufólogo João Marcelo Marques Rios localizou o autor da gravação, já na reserva.
Segundo Rios, o bombeiro foi direto:
“Ele disse que aquele áudio era um enredo. Foi persuadido e instruído a gravar. Falou que não houve nada, que não aconteceu nada.”
“Foi tudo manipulação”
No novo áudio exibido pelo documentário, o ex-militar é ainda mais enfático:
“Manipulação. Não teve nada. Foi tudo uma manipulação. Eu quero esquecer isso, acabar com essa história.”
Ele afirma que foi induzido a repetir uma narrativa ensaiada, construída para parecer autêntica.
E o papel do ufólogo?
O nome de Vitório Pacaccini, um dos principais defensores do Caso Varginha, aparece novamente no centro da controvérsia. Segundo os ex-militares, ele teria oferecido dinheiro ou orientado os depoimentos. Pacaccini nega qualquer tipo de pagamento ou coerção.
Em sua defesa, afirmou que chegou a orientar testemunhas a negarem os relatos caso se sentissem inseguros:
“Se acharem melhor negar tudo para proteger vocês e suas famílias, fiquem à vontade.”
Outros relatos contraditórios
Um segundo militar, que pediu anonimato, ainda sustenta sua versão e afirma ter visto algo estranho dentro de uma caixa em um hospital. No entanto, há suspeitas de que ele também teria recebido dinheiro para manter o relato.
Já Ricardo Melo, ex-motorista da Escola de Sargentos das Armas (EsSA), negou qualquer envolvimento e afirmou acreditar que a história foi criada por alguém do meio militar para lucrar.
“Se soubesse da repercussão, teria pedido mais”
Um terceiro ex-militar relatou que também recebeu promessa de pagamento:
“Na época, R$ 5 mil era muito dinheiro. Eu era um menino da roça. Ele nunca pagou.”
Segundo ele, a narrativa foi ensaiada, construída passo a passo, e hoje há arrependimento.
Afinal, o que sobra do Caso Varginha?
Com tantos relatos contraditórios, o Caso Varginha permanece exatamente onde sempre esteve: entre a crença e o ceticismo. Para alguns, as novas confissões desmontam completamente a história. Para outros, são apenas mais um capítulo de um caso cercado por pressões, medo e interesses ocultos. O que é certo é que, quase três décadas depois, o suposto ET de Varginha continua provocando debates, mesmo sem nunca ter sido visto novamente.
E talvez esse seja o maior mistério de todos.
